segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Parcela de Culpa

Quero continuar um pouco a escrever sobre o tal medo de errar que todos nós temos. Todos sim, inclusive você. Reflita um pouco sobre sua vida. Provavelmente você teve vários momentos que por alguns minutos ou horas parou para pensar na decisão que precisava tomar. Ou na ação que precisava fazer. Por mais simples que fosse. E porque você parou? Porque não queria errar. Colocaram na nossa cabeça tão veementemente que temos que ser perfeitos, que cada passo que dermos tem que ser minuciosamente planejado.
Vejo pelos meus alunos. Uns tremem quando tocam teclado perto de mim, mesmo eles admitindo que tenho paciência e nunca fui de brigar, ao contrario, digo que errar é humano e que simplesmente temos que consertar. Aliás, é uma das coisas que aprendemos com a musica e podemos passar para nossas vidas. Quando você está tocando, seja o instrumento que for, você não pode parar se errar. Senão a banda toda vai perder o compasso, todo mundo vai saber que você errou simplesmente por parar. Aconselho meus alunos a continuarem como se nada tivesse acontecido. Ninguém vai saber que erraram. Apenas eu e eles. E se continuarem, tudo acaba bem no final. Temos que errar, ter consciência disso e esquecer o erro. Mas a maioria, no começo, tem dificuldade de fazer isso. São tão ligados a serem perfeitos, que mostram fisicamente até, através de caretas, que erraram enquanto tocavam. Ou então simplesmente param por não aceitarem seus erros. E quem disse que se você parar vai arrumar o que errou antes? A tendência é o nervosismo tomar conta de você e você errar novamente no mesmo lugar. Há pessoas que chegam ao ponto de desistir de tocar um instrumento porque ao invés de estar ajudando a relaxar, a música está é ajudando a estressá-lo. Costumo dizer no primeiro dia de aula, que até para errar a gente precisa treinar. E é bem por ai. Na vida também. Quando erramos ficamos sem direção por algum tempo. Não nos perdoamos facilmente. Exatamente como não costumamos perdoar quem erra com a gente. E falando sobre esses dois erros chego ao ponto que queria quando coloquei o título desse texto.
Há pessoas que de tanto não aceitarem os seus erros, quando a vida já começa a cobra-lo os erros cometidos no passado, começam a fazer o que qualquer pessoa com o mínimo de orgulho faria: culpar os outros. A sua vida profissional não está do jeito que você gostaria? Culpa do seu chefe, ou do colega invejoso, ou da vida mesmo que não te deu mais oportunidade de crescer. Seu relacionamento amoroso vai mal? Culpa é do parceiro ou parceira que não entende você direito, ou faz a lista de defeitos que a pessoa tem e por isso você não agüenta. E quando você troca de parceiro ou parceira e o problema continua, a culpa é de todos, eles ou elas, porque você simplesmente não encontrou a pessoa ideal. Você brigou com o seu irmão, seu pai, sua mãe ou qualquer membro da família? A culpa é de quem? Deles que nunca te entendem, ou porque são sempre tão intransigentes.
O que devemos analisar é que primeiro: TODOS temos parcela de culpa em TUDO o que acontece em nossas vidas. Sejam coisas boas ou ruins. Quanto mais rápido conseguirmos admitir que não somos perfeitos e nem devemos ser, mais rápido solucionamos o problema. Nossa obrigação é sempre melhorar. Sempre ir em frente. Sempre evoluir. O quanto não importa. Segundo: De quem é a culpa pouco importa quando se tem um problema. Para que jogar nos outros um peso que nós mesmos não conseguimos carregar? O peso da culpa?
Aceitemos que todos temos parcela de culpa e que todos erramos sim, porque estamos aprendendo. Só vamos ter cuidado e auxiliarmos uns aos outros, para não persistirmos sempre no mesmo erro.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Saber Quando Desisitir

Desde nossa infância nos é colocado como a palavra desistir faz apenas parte do vocabulário de uma pessoa perdedora. Fazem-nos acreditar que se nunca desistirmos do que sonhamos, se batalharmos passando por cima de nossas forças já limitadas, que chegaremos ao tal sonho esperado. Será? Será mesmo que desistir é a decisão de um perdedor? Ou de um sábio?
Devemos saber quando desistir. Não é fácil. Talvez seja mais difícil do que continuar tentando passar por cima de nossas forças. Porque o desistir requer mudança. Requer deixar um pensamento, uma idéia, um sonho, um alguém para trás. Às vezes era aquele sonho, aquela determinação, aquela esperança que te fazia acordar e encontrar forças para mais um dia de batalha. E como saber que a hora de desistir chegou?
Sinto informar, mas eu não faço a mínima idéia. Porém talvez isso faça sentindo. Há uma musica da Madonna chamada “The Power of Goodbye” (o poder do adeus), que diz na sua letra que “a dor é um aviso que há algo errado”. Talvez quando essa determinação não traga mais nada além de dor, seja hora de desistir. Admitir que talvez não fosse para ser do jeito que você imaginou que seria. Admitir que se estava errado. E qual é o problema disso? Por que temos uma aversão pavorosa de errar se somos humanos imperfeitos? Devemos errar e arrumar o que está errado. Esse é o objetivo da vida. Devemos ter sonhos e esperanças que nos tragam algo a mais do que realização pessoal. Quantas vezes insistimos, batemos o pé com a vida que queremos tal coisa e quando finalmente conseguimos percebemos que não era bem como imaginávamos. E aí vem aquele vazio, o mesmo vazio de quando desistimos de um sonho e não temos razão para acordar no dia seguinte com uma diferença: quando desistimos de algo que já estava nos fazendo sofrer mais do que outra coisa, até temos o tal vazio, mas também sentimos paz. E meus amigos, paz de espírito só se sente à falta quando a perdemos.
Há três ditados populares que podem nos ajudar a decidir se devemos desistir de uma determinada coisa ou não. O primeiro: “água mole pedra dura tanto bate até que fura” – acreditem conheço gente que consegue as coisas assim. O segundo: “cuidado com o que você deseja porque você pode conseguir” – acho que essa experiência todo mundo já provou ou irá provar. E finalmente o terceiro: “Nadou, nadou, nadou e morreu na praia”. Não direi qual desses ditados, em minha opinião, é o mais correto. Acho que os três tem a sua validade. Depende do sonho e da pessoa que está sonhando.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Confiança

Eu sou uma pessoa espiritualista. Acredito em Deus e tenho fé. Porém não vou escrever sobre o que acredito ou não, mas sim sobre as pessoas. Sobre ter ou não confiança nas pessoas. Eu sempre tive fé nas pessoas. Minha mãe costumava dizer que minha principal virtude e meu pior defeito era ter um bom coração. Que as pessoas abusavam disso. E eu sempre pensei que a pessoa mesmo tendo vacilado, seja comigo ou com outra pessoa, merecia sim uma outra chance. Por muito tempo acreditei nisso. Por muito tempo acreditei nas pessoas. Confesso que não sei se acredito mais. Ou melhor, talvez eu até acredite e dê uma chance, mas não com o mesmo calor, com a mesma paixão, com a mesma esperança de sempre. É como se desse a chance sabendo que o fracasso virá. Talvez eu tenha amadurecido. Talvez eu tenha cansado de ver tanta coisa trágica por ai. Às vezes nem me sinto ser humano. Sinto-me na espécie errada de tanta barbaridade que eu vejo. E às vezes até me pergunto que raios estou fazendo aqui. Num mundo que nem esse. Cansei de dar chances ao ser humano e não receber nada. E sinto muito, não sou perfeita para doar incondicionalmente.
Até ontem minha fé estava abalada. Porque ontem um homem me deu uma chance. Confiou em mim sem praticamente me conhecer.
Preciso fazer uma placa no local onde trabalho porque a minha, a ventania dos últimos dias levou. Fiz um acordo com uma senhora que dá aulas de pintura no mesmo local que eu para fazermos a placa juntas e sair mais barato. Estávamos vendo o lugar onde colocaríamos a placa e conversando sobre o preço com ele. Ele nos explicou que precisaria da metade do dinheiro de entrada e a outra metade seria entregue quando ele colocasse a placa. Até ai tudo bem. O problema era que eu não estaria lá essa semana para entregar o dinheiro de entrada. E sem pestanejar, esse homem disse que não havia problema. Que eu podia entregar o dinheiro todo no final. E ai ele disse à frase que me marcou: “Nós precisamos confiar nas pessoas, não é mesmo?”. E ele tem razão. Eu sei que eu vou pagar, eu sei que sou merecedora da confiança dele, mas ele não tem certeza disso. Eu poderia ser sacana, como já vi muita gente ser e faze-lo gastar material e dizer que não queria mais a placa.
E aqui também vai um lembrete a uma amiga minha. Ela costuma dizer que por eu ser politicamente correta e querer ajudar todo mundo, só recebo ingratidão como resposta. Disse a ela, na época que recebi a ingratidão, que a pessoa até poderia não me dar nada em troca, mas Deus estava vendo. E tudo o que vai volta. E que muitas vezes eu fui ajudada por pessoas que mal me conheciam. Porque eu tinha saldo positivo com o cara lá de cima. E assim foi dessa vez.
Como disse no começo do meu desabafo, eu sou espiritualista, acredito em Deus e tenho fé que as coisas vão melhorar. Porque ainda há pessoas no mundo que merecem uma segunda chance.