segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Confiança

Eu sou uma pessoa espiritualista. Acredito em Deus e tenho fé. Porém não vou escrever sobre o que acredito ou não, mas sim sobre as pessoas. Sobre ter ou não confiança nas pessoas. Eu sempre tive fé nas pessoas. Minha mãe costumava dizer que minha principal virtude e meu pior defeito era ter um bom coração. Que as pessoas abusavam disso. E eu sempre pensei que a pessoa mesmo tendo vacilado, seja comigo ou com outra pessoa, merecia sim uma outra chance. Por muito tempo acreditei nisso. Por muito tempo acreditei nas pessoas. Confesso que não sei se acredito mais. Ou melhor, talvez eu até acredite e dê uma chance, mas não com o mesmo calor, com a mesma paixão, com a mesma esperança de sempre. É como se desse a chance sabendo que o fracasso virá. Talvez eu tenha amadurecido. Talvez eu tenha cansado de ver tanta coisa trágica por ai. Às vezes nem me sinto ser humano. Sinto-me na espécie errada de tanta barbaridade que eu vejo. E às vezes até me pergunto que raios estou fazendo aqui. Num mundo que nem esse. Cansei de dar chances ao ser humano e não receber nada. E sinto muito, não sou perfeita para doar incondicionalmente.
Até ontem minha fé estava abalada. Porque ontem um homem me deu uma chance. Confiou em mim sem praticamente me conhecer.
Preciso fazer uma placa no local onde trabalho porque a minha, a ventania dos últimos dias levou. Fiz um acordo com uma senhora que dá aulas de pintura no mesmo local que eu para fazermos a placa juntas e sair mais barato. Estávamos vendo o lugar onde colocaríamos a placa e conversando sobre o preço com ele. Ele nos explicou que precisaria da metade do dinheiro de entrada e a outra metade seria entregue quando ele colocasse a placa. Até ai tudo bem. O problema era que eu não estaria lá essa semana para entregar o dinheiro de entrada. E sem pestanejar, esse homem disse que não havia problema. Que eu podia entregar o dinheiro todo no final. E ai ele disse à frase que me marcou: “Nós precisamos confiar nas pessoas, não é mesmo?”. E ele tem razão. Eu sei que eu vou pagar, eu sei que sou merecedora da confiança dele, mas ele não tem certeza disso. Eu poderia ser sacana, como já vi muita gente ser e faze-lo gastar material e dizer que não queria mais a placa.
E aqui também vai um lembrete a uma amiga minha. Ela costuma dizer que por eu ser politicamente correta e querer ajudar todo mundo, só recebo ingratidão como resposta. Disse a ela, na época que recebi a ingratidão, que a pessoa até poderia não me dar nada em troca, mas Deus estava vendo. E tudo o que vai volta. E que muitas vezes eu fui ajudada por pessoas que mal me conheciam. Porque eu tinha saldo positivo com o cara lá de cima. E assim foi dessa vez.
Como disse no começo do meu desabafo, eu sou espiritualista, acredito em Deus e tenho fé que as coisas vão melhorar. Porque ainda há pessoas no mundo que merecem uma segunda chance.

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