domingo, 24 de maio de 2009

Dependência

As pessoas costumam julgar as outras. Desdenhar de como as pessoas podem ser tão controladas, tão dependentes de algo ou alguém. O problema é que nós temos os olhos tão concentrados nas pessoas a nossa volta, que não conseguimos enxergar as nossas próprias dependências. Por mais autoconfiante que você seja, por mais perfeito que você ou sua vida possa parecer, todos nós temos inseguranças e com elas cria-se uma dependência.
A dependência pode ser de vários graus e de várias coisas: drogas, lícitas ou ilícitas, bebidas, cigarro ou até pessoas. Os graus que a dependência ocorre estabelecerão em que nível será a conseqüência dessa dependência, e quem será atingido com ela. Na maioria das vezes arrastamos alguém a sofrer conosco quando a dependência é num nível elevado. Às vezes, até num nível menor. Exemplo: se alguém, seja sua mãe ou uma auxiliar doméstica, limpa seu quarto, guarda suas coisas sabendo onde elas estão melhor do que você, lava suas roupas, incluindo roupas íntimas, eu diria que você é bastante dependente. Tanto quanto uma pessoa que fuma há no mínimo uns 20 anos. Mas não se sinta mal. A maioria da raça humana é dependente, principalmente de alguém. O problema é quando essa dependência vira uma doença.
Nessa última sexta-feira uma moça foi assassinada dentro de uma das faculdades pela qual passei. O ex-companheiro dela não se conformou com o término do relacionamento, após 11 anos e foi atrás dela para tentar reatar. Ele tinha acesso a faculdade, pois havia estudado lá anteriormente. Entrou, tentou conversar com ela, fazê-la perceber o quanto “ele não podia viver sem ela” (palavras dele). Porém após perceber que além de não existir a possibilidade de volta, ela mostrava desprezo por ele, pegou a tesoura que estava perto de uma das mesas e a feriu no pescoço, sendo mortal.
Sei que a postagem de hoje está parecendo mais reportagem da seção policial de um jornal, mas chamo a atenção de vocês a esse caso para lançar as seguintes perguntas: Quantas vezes mais vamos ter que ouvir uma notícia dessa até perceber que todo o nosso problema é interno? Que a maioria dos problemas da sociedade em que vivemos vem de dentro de cada um de nós? E como podemos mudar isso? Não sei se tenho a resposta para essa pergunta, mas sei que a solução não está em ficar comentando e julgando a dependência de ninguém, nem mesmo desse homem. A resposta está dentro de cada um de nós. Quando nós pararmos de correr tanto, para chegar sabe-se Deus onde, e descobrimos quem realmente somos, com nossa força e principalmente nossas fraquezas, e aprender a lidar com elas, ou até quem sabe eliminá-las, é que seremos e faremos os outros mais felizes.
Só quero que lembrem de uma coisa: há sim pessoas inesquecíveis, seja por ter nos feito algo ruim ou algo bom, mas o fato de não esquecermos essas pessoas não significa que não podemos viver sem elas. Apenas significa que em um certo ponto, por um certo período elas nos fizeram muito felizes ou nos fizeram aprender algo. E sem todas essas pessoas que passaram por nossa vida, que nos marcaram de alguma forma, não seríamos quem nós somos hoje. Mas nascemos sem elas e podemos continuar vivendo sem elas. Está na hora de aprendermos que o amor, acima de tudo é aprender a deixar em liberdade aquilo ou aquele que amamos.





domingo, 17 de maio de 2009

Diga-me porque mentes e eu te direi quem és

Todo mundo mente. Sei que isso é uma afirmação generalizada, mas é a pura verdade. Porém, para não desagradar ninguém com a minha generalização, vou mudá-la um pouco: Todo mundo já mentiu, mente ou irá mentir. Mentir costuma ter apenas desvantagens, pois ela tem perna curta, você perde a credibilidade e a confiança das pessoas para quem mentiu, mas ainda assim, todo mundo continua mentindo. Eu odeio mentira, mas não serei hipócrita a dizer que nunca menti, ou que não continuo mentindo. E ainda assim, não me considero uma mentirosa. Então cheguei a uma conclusão: para que alguém seja considerado realmente mentiroso você precisa verificar o grau da mentira contada e o quanto essa pessoa está acostumada a mentir. A maioria das pessoas mente por medo. Não venha me dizer que você é diferente, que você mente para não magoar os outros, como se sua mentira fosse uma caridade. Se não quer magoar alguém não faça a ação que machucará a pessoa, porque ai você não precisa mentir. Nós mentimos porque queremos fazer a determinada ação, mesmo sabendo que ela é errada, e temos medo de sermos pegos. Ou então mentimos quando uma pessoa pergunta algo que nós sabemos que a resposta não será de seu agrado. Então para que a pessoa não fique brava conosco e não precisarmos dar muita justificação, nós escolhemos mentir.
Adoro pegar alguém na mentira. Já reparou como a pessoa não consegue raciocinar e inventar outra mentira plausível para encobrir a que foi descoberta? Um ex-namorado meu costumava colocar a mão no bolso e abaixar um pouco a cabeça quando estava mentindo. Chegava a ser engraçado ele tentar fazer charminho pra encobrir suas safadezas.
Mas existem pessoas que tem pós-graduação em mentira. Esses, para mim, são os psicopatas. Eles vivem a mentira, eles acreditam no que inventam e é por isso que se torna tão real aos outros. Essas pessoas constroem a mentira, outra vida, outro personagem para viverem e acabam envolvendo as pessoas ao seu redor nesse jogo falso. Está achando um exagero? Está pensando que você não conhece ninguém assim? Pois observe mais a sua volta e veja se não está enganado. Eu, no mínimo, já conheci dois. Uma mulher e um homem. A mulher era uma menina na época. Estudava comigo e namorava um primo meu. Até então não desconfiávamos de nada. Até que ela começou a querer jogar meu primo contra mim e vice-versa. Eu e meu primo percebemos e conversamos seriamente. Depois disso descobrimos que ela era compulsiva na mentira, que estava num tratamento com psicólogo. O outro é um homem feito, que com o seu charme e seu conhecimento em como agradar uma mulher, sabe levar várias com a sua lábia. Antes que vocês se perguntem, não eu não fui uma delas, eu apenas o tenho como colega. Soube que a vida dele é uma mentira. Ele inventa tudo o que ele gostaria que estivesse acontecendo em sua vida, mas não está. Gosta de se sentir superior aos outros, gosta de ter as pessoas aos seus pés. Só que o seu problema é que ele não tem. As pessoas quando descobrem suas mentiras não ficam chateadas, depressivas, dependentes dele, como ele gostaria, elas ficam bravas, possessas da vida. É ele que é o depressivo, o dependente, o dominado pela família. Para não se sentir mal, tenta enganar os outros, mas no fundo só está enganando a si mesmo.
Já conversamos aqui no blog sobre as ilusões. Penso que elas necessárias, tanto quanto as pequenas mentiras, mas sem exageros. A realidade é muito dura. Se não tivermos o que sonhar, o que almejar, mesmo sendo um oásis distante, a vida fica muito mais difícil, sem sabor. Mas muito cuidado com o exagero. Não caia em armadilhas que você mesmo possa criar. O conselho que eu daria a esse colega, se ele não mentisse veementemente que esta tudo bem, é de que desabafar faz bem. Que ninguém precisa ser uma rocha, fingir que está tudo bem para si quando na verdade não está. Que o único que cai nessa mentira é ele mesmo e nada disso vale a pena. A vida é muito curta para ser desperdiçada assim e só traz sofrimento e inimizades.
E para você, que possa ser ou estar sendo vítima de alguém parecido, meu conselho é para ter cuidado. Nem tudo que reluz é ouro. Nem sempre a pessoa que diz exatamente o que você queria ouvir está sendo sincera. Pode ser apenas uma mentira de muitas já contadas.

domingo, 10 de maio de 2009

Julgamento Externo

Susan Boyle é a sensação do momento. E tem razão de ser. Uma mulher simples, com 47 anos, uma idade considerada ultrapassada, conseguiu com a sua voz e a sua história comover milhares de pessoas ao redor do mundo. Agora, e com todo direito devido, ela irá desfrutar de uma vida de sucesso e glamour. Mas gostaria que nós, eu e vocês, nos colocássemos no lugar de Susan por um momento. Não agora, quando ela está no auge, mas anteriormente a isso, quando ela era menosprezada e humilhada por todos, por simplesmente não ter o tipo de beleza que nos é imposta pela sociedade e nós como meros escravos acabamos aceitando. Ninguém deu uma chance a Susan antes. Algumas pessoas, anteriormente, a escutaram cantar e, mesmo se tiverem gostos musicais diferentes, mas não tiverem problemas de audição, consideraram tão fascinante quanto nós, 100 milhões de pessoas, que assistiram sua participação no programa pelo site youtube. E ainda assim, ouvindo a sua surpreendente voz, percebendo o talento escondido naquela mulher de roupas simples, porém simpática e risonha, não apostaram em seu talento por pensar que nós, meros escravos da beleza, não enxergaríamos mais que isso.
Não acredito que alguém que possa nascer com uma voz como aquela, voz de anjo, seja maquiavélica. Com uma alma linda e uma voz que transmite essa beleza Susan teve que enfrentar o desprezo. Não há nada pior que isso. Ser desprezado. Já se sentiu assim? Se não tente imaginar como seria. Se já, lembre-se de como sentiu. Agora você provavelmente deve ter vivido isso ocasionalmente. Imagine todo dia ao ponto de você não viver e sim se esconder. Esse era o caso de Susan.
Agora pergunto a vocês meus amigos, o que há de errado com a gente? O que há de errado com a nossa sociedade que coloca acima da bondade, acima da simpatia, acima do talento, a beleza externa? E para que? Se você se considera lindo, parabéns a você e a seus pais que com seus genes conseguiram fazer um bom trabalho. Porém já parou para pensar em como você vai viver a sua vida quando a beleza for embora? Porque queridos amigos, do mesmo jeito que nossa sociedade impõe o tipo de beleza, também impõe o quanto ela pode durar. E vamos ser honestos, como o tempo é avassalador. Você é um cara com o corpo sarado? Vai à academia todo dia? Parabéns a você. Mas sinto informar que um dia tudo isso cairá. Não culpe a mim. Culpe a gravidade. Mesma informação vale para a mocinha com o bumbum e o peito nos seus devidos lugares. E se está pensando em colocar algo falso, só cuidado com o exagero e não chegue perto de nada pontiagudo. Mas enfim, o tempo não tem piedade e quando você menos esperar, a sua beleza externa já foi embora. E se você coloca sua beleza externa e a dos outros em primeiro lugar o que fará depois? Porque você será menosprezado do mesmo jeito que Susan foi à vida inteira. Só que, dessa vez por te considerarem velho, ultrapassado. Todos nós viemos e iremos para o mesmo lugar. Porque não aceitamos isso? Porque não dar chance a alguém só porque essa pessoa não tem essa beleza do "tudo no lugar"? (E vamos combinar que ninguém tem, pelo menos não sem um photoshop).
Quero que façam um teste. Ao andar na rua, no seu trabalho ou mesmo no seu convívio com amigos reparem nas pessoas. Repare nos seus julgamentos e em como elas julgam vocês. Perceba qual é o sentimento que aparece quando alguém faz isso a você. E qual é o sentimento que aparece quando você faz isso a alguém.
Há uns anos atrás, tinha uma colega que era professora de Artes na rede pública de Santos. Para combater o bullying, que sempre aconteceu e espero que um dia acabe, a escola adotou uma prática bem interessante. Espalhou cartazes com frases sobre esse tipo de comportamento. Um era sobre os considerados nerds. E a frase era a seguinte: "Cuidado com a atitude que tiver com um nerd hoje. Ele poderá ser seu chefe amanhã." Alerto vocês da mesma forma. Como diria um amigo meu, a vida dá voltas...Graças a Deus.

domingo, 3 de maio de 2009

A Primeira Vez a Gente Nunca Esquece (pelo menos a crônica)

Seu eu disser que nenhuma "primeira vez" é esquecida eu estarei sendo cínica. Pois, não sei quanto a vocês, mas algumas eu realmente não me recordo. Não com detalhes pelo menos. Contudo há algumas que guardamos com carinho. E uma delas para mim, que neste momento de minha vida a memória resolveu tira-la do baú, foi a minha primeira crônica.
Foi na faculdade de Pedagogia, em 2007, quando a professora de Leitura e Produção de Texto, pediu que nós escrevessemos uma crônica. Não sei quanto aos meus colegas de classe porém eu adorei. Aliás foi o único semestre daquela faculdade que realmente foi bom, mas isso é outra história. Então resolvi postar aqui, pois tem muito sobre o comportamento humano. E a história que me inspirou a escrevê-la é verdadeira e eu fui testemunha do ocorrido enquanto não tinha idéia nenhuma para a crônica. Por isso, pela primeira vez, publicamente agradeço ao homem que totalmente perdeu a noção da razão mas entregou-me nas mãos uma ótima história.
O nome da crônica é : Descontrole
Outro dia, ao sair de um mercado, ouvi o barulho de carro. Ao olhar para trás, qual foi a minha surpresa, e a de todos os curiosos de plantão, ao perceber que entre os personagens da história, havia apenas um carro...e um poste. Para sair do estacionamento do mercado, o motorista precisava manobrar seu carro para o lado, já que o poste se encontrava bem em sua direção. Porém ele não conseguiu e bateu levemente no poste. Tentou mais uma vez, e conseguiu apenas a segunda amassada. Impaciente e irritado, o motorista não pensou duas vezes: sem o menor cuidado, deu ré e propositalmente bateu no poste com toda a força conseguindo, então, sair do estacionamento.
Ultimamente, temos nos descontrolado com facilidade. Perdemos a razão por pequenas coisas, como um esbarrão ou até um olhar atravessado que alguém possa nos dar. A última moda é ser impaciente consigo mesmo. "Perdeu a chave? Tropeçou? Bateu o carro? Seu incompetente! Não sabe fazer nada!" É o que dizemos em frente ao espelho.
Aprender a relaxar, é um desafio. Por isso, a razão de existirem tantas terapias, tantas tentativas de solução. Acabamos procurando soluções nessas alternativas porque desconhecemos, ou não sabemos como chegar na verdadeira solução, que se encontra no mesmo lugar do problema...dentro de cada um de nós.